Primeiros escudos do Náutico (esquerda) e do Sport.
Clássico dos Clássicos é o nome pelo qual é conhecido o jogo entre o Clube Náutico Capibaribe e o Sport Club do Recife. Terceiro clássicomais antigo do Brasil, atrás somente do Clássico Vovô, do Rio de Janeiro, e do Grenal, de Porto Alegre, é um dos quatro grandes clássicos do futebol pernambucano, ao lado do Clássico das Multidões, do Clássico das Emoções e do Clássico Matuto.
A história dos dois clubes está ligada desde as suas origens, uma vez que o Sport foi fundado por Guilherme de Aquino após dirigentes do Náutico recusarem sua oferta de introduzir uma equipe de futebol no clube. Realizado pela primeira vez em 1909, com vitória do Náutico, o confronto era conhecido inicialmente como "Fla-Flu pernambucano", e recebeu o nome atual num anúncio do Jornal Pequeno de 18 de agosto de 1945.A maior goleada do Sport ocorreu em 1916, com uma vitória por 8 a 0, enquanto o Náutico venceu por 8 a 1 em 1935.
Náutico e Sport disputaram diversas partidas históricas, como a que levou mais de oitenta mil pessoas ao Estádio do Arruda, estabelecendo o recorde de público para o Clássico, a vitória do Sport no Estádio dos Aflitos na Copa do Nordeste de 2001 e a vitória do Náutico no Estádio da Ilha do Retiro no Pernambucano do mesmo ano, interrompendo a sequência de títulos do rival e evitando o hexa.
Em 1905, o estudante pernambucano Guilherme de Aquino, em viagem à Inglaterra, se encantou com o futebol e, na volta ao Recife, trouxe equipamento necessário para a formação de duas equipes. Procurando um clube para iniciar a prática da modalidade, solicitou inicialmente ao Clube Náutico Capibaribe, fundado quatro anos antes e voltado à prática de remo, um espaço para o esporte. Com a não-aceitação do Náutico, Guilherme de Aquino decidiu fundar um novo clube, o Sport Club do Recife.
Quatro anos depois, com a popularização do futebol no Recife, o Náutico decidiu aderir à modalidade e fez um desafio à equipe do Sport. Em 24 de julho de 1909, o Jornal Pequenoanunciou:
| “ | É amanhã, às 4 horas da tarde e no magnífico campo do Britsh Club, que se realisará o match ansiosamente esperado, entre o Sport Club do Recife e o Club Nautico Capibaribe, em consequencia do desafio que ha dias este fez áquele. É a primeira vez que sob as respectivas bandeiras dos dois importantes e sympatizados clubs athleticos desta capital, se effectuará aqui um match de futebol e, por conseguinte é fácil avaliar o grande interesse que o mesmo tem despertado em o nosso meio sportivo, onde se discute o resultado do encontro com enthysiasmo ainda não observado em Pernambuco! | ” |
— Jornal Pequeno, 24 de julho de 1909 (grafia original)[5] |
O local da partida, onde na época funcionava o Britsh Club, hoje abriga o Museu do Estado de Pernambuco. Thomas Wright foi o árbitro do jogo, auxiliado por um representante do Náutico (A. Chalmers) e outro do Sport (o próprio Guilherme de Aquino). O Náutico jogou com uniforme todo branco e com o escudo bordado. O Sport atuou com camisas listradas verticalmente em vermelho e preto e calções brancos. Rolland Maunsell, do Náutico, marcou os dois primeiros gols do confronto, ambos no primeiro tempo. D. Thomas fez o terceiro e C. Chalmers marcou o gol do Sport, fechando o placar em 3 a 1 a favor do Náutico.
Maiores goleadas
Em 1916, durante o Campeonato Pernambucano de Futebol, ocorreu a maior goleada do Sport no confronto: 8 a 0. O jogo, disputado na Ponte d'Uchoa, era válido pelo segundo turno da Série B (equivalente a Grupo B na denominação usual dos dias atuais). Motta marcou quatro gols, Vasconcelos fez três e Smith completou o placar. Semanas depois o Sport conquistaria seu primeiro título estadual. Dezoito anos mais tarde, em dezembro de 1934, o Náutico vencia o Sport por 2 a 1 em partida do Campeonato Pernambucano daquele anoquando a equipe alvirrubra começou a pressionar o árbitro. A partida foi interrompida e a demora fez com que o jogo entrasse pela noite. Devido à falta de refletores no estádio, o jogo foi suspenso e seria retomado no dia seguinte, mas o Sport não aceitou e propôs o reinício do confronto. O novo jogo, marcado para 31 de março de 1935, foi realizado no campo da Avenida Malaquias. O Náutico venceu, repetindo o placar de 1916. Fernando Carvalheira (3), Artur Carvalheira (2), Estácio (2), Zezé Carvalheira e Marcílio Aguiar fizeram os gols.
[editar]Outros jogos históricos
- Partida com mais gols
Em 14 de junho de 1947 ocorreu o Clássico dos Clássicos com mais gols: dez. Válido pelo turno eliminatório do Campeonato Pernambucano, a equipe do Náutico, mais jovem que a do Sport, venceu o jogo realizado no Estádio dos Aflitos por 7 a 3.[5]
- Hexacampeonato do Náutico
Em 1968 o Náutico conquistaria seu sexto título estadual consecutivo, se tornando assim o primeiro (e único até hoje) hexacampeão pernambucano. A conquista veio após um confronto contra o Sport, realizado em 21 de julho no Estádio dos Aflitos. Após um empate sem gols no tempo regulamentar, o título foi decidido na prorrogação. Aos dois minutos do segundo tempo extra, Ramos marcou o gol do título alvirrubro. Todos os títulos do hexacampeonato tiveram o Sport como vice-campeão.
- Maior público
Durante o Campeonato Pernambucano de 1998 foi registrado o maior público presente a um Clássico dos Clássicos: 80203 pessoas assistiram ao jogo no Estádio do Arruda. A campanha Todos com a Nota, do governo estadual, que incentiva a troca de notas fiscais por ingressos, ajudou a quebrar o recorde anterior, de 1983, em mais de quatro mil pessoas. Centenas de torcedores, principalmente do Sport, ficaram de fora devido à lotação dos setores da arquibancada destinados a eles. Dentro de campo, o Sport tirou a invencibilidade do Náutico no campeonato daquele ano ao vencer o clássico por 2 a 0.
- Copa do Nordeste de 2001
Na Copa do Nordeste de 2001, o Náutico fazia uma campanha invicta e era favorito ao título. O adversário nas semifinais era o Sport, quarto colocado, que havia perdido o clássico da primeira fase jogando no Estádio da Ilha do Retiro. Em 21 de abril, nos Aflitos, o Sport derrotou o time da casa por 1 a 0, com gol de Valdo aos 27 minutos do segundo tempo. O Náutico foi eliminado do torneio após sua primeira derrota. O Sport seria vice-campeão, perdendo a final para o Bahia.
- Centenário do Náutico
O Sport havia sido campeão estadual nos cinco anos anteriores e era favorito para conquistar o título em 2001, igualando o feito do Náutico na década de 1960. Menos de um mês após a vitória rubro-negra na Copa do Nordeste, as duas equipes voltaram a se enfrentar no Campeonato Pernambucano. Em 16 de maio, na Ilha do Retiro, Thiago Gentil abriu o placar para o Náutico aos doze minutos de jogo, mas Rodrigo Gral empatou cinco minutos depois. Após a expulsão de Marcelo Fernandes, do Náutico, o técnico Muricy Ramalho fez uma substituição que seria decisiva: Adilson entrou no lugar de Alberto. Aos dez minutos do segundo tempo, Kuki sofreu uma falta a cerca de quarenta metros de distância da meta. Adilson cobrou e a bola foi direto para o gol, confirmando a vitória do Náutico, que, dois meses depois, conquistaria o título estadual no ano de seu centenário e evitaria o hexa do rival.
- 100 anos de Clássico dos Clássicos
Na tarde de 26 de julho de 2009 foi realizado na Ilha do Retiro o jogo comemorativo de cem anos do Clássico dos Clássicos. Válido pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro,a partida teve o placar aberto por Carlinhos Bala a favor do Náutico, aos 25 minutos do primeiro tempo. Após dois empates do Sport, a equipe virou o placar com o gol de Guto. O Náutico voltou a empatar, novamente com Carlinhos Bala, e fechou o placar em 3 a 3. As comemorações pelo centenário não refletiam o desempenho das equipes no torneio: após este jogo, ambas permaneciam na zona de rebaixamento, e de fato seriam rebaixadas ao final do campeonato.
- Decisão do Campeonato Pernambucano de 2010
Náutico e Sport decidiram o título do Campeonato Pernambucano de 2010, dezesseis anos depois da última final entre as duas equipes. O Sport chegou à final após derrotar o Central, enquanto o Náutico venceu o Santa Cruz nas semi-finais No primeiro jogo, nos Aflitos, vitória do Náutico por 3 a 2. A segunda partida, na Ilha do Retiro, terminou com vitória do Sport por 1 a 0. Por ter feito mais gols como time visitante, o Sport foi o campeão, conquistando o quinto título seguido.
Torcidas
A rivalidade entre os dois clubes por vezes ultrapassa os limites do espírito esportivo e gera conflitos entre torcedores, especialmente entre membros das principais torcidas organizadasdos clubes, a Fanáutico e a Torcida Jovem. Em 2008, conflitos após um Clássico dos Clássicos motivaram o Juizado Especial do Torcedor a proibir a entrada de torcidas organizadas em clássicos no estado de Pernambuco. A decisão foi revista posteriormente, mas a segurança continuou sendo uma preocupação das autoridades. O segundo encontro entre Náutico e Sport no Campeonato Pernambucano de 2009 teve o maior esquema de policiamento já registrado em um evento esportivo no estado.[16] Além de fazer a segurança nos estádios, nos dias de clássico policiais e bombeiros são deslocados para possíveis pontos de conflito entre torcedores, como terminais de ônibus, estações de metrô e avenidas de grande movimentação.
Estatísticas dos Jogos
| Competição | J | VN | E | VS | GN | GS |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Campeonato Pernambucano | 388 | 129 | 108 | 151 | 496 | 539 |
| Campeonato Brasileiro - Série A | 19 | 6 | 6 | 7 | 16 | 15 |
| Campeonato Brasileiro - Série B | 8 | 2 | 2 | 4 | 11 | 13 |
| Copa do Nordeste | 3 | 1 | 0 | 2 | 2 | 3 |
| Copa João Havelange | 1 | 0 | 1 | 0 | 1 | 1 |
| Taça Cidade do Recife | 4 | 1 | 0 | 3 | 3 | 4 |
| Campeonato Pernambucano (jogo anulado) | 1 | 1 | 0 | 0 | 2 | 1 |
| Outros torneios | 27 | 10 | 5 | 12 | 34 | 40 |
| Amistoso | 46 | 17 | 15 | 14 | 73 | 70 |
| Total | 497 | 167 | 137 | 193 | 638 | 686 |
Esta tabela foi organizada a partir de informações colhidas no site JC On Line,com atualizações fornecidas pelo Pernambola.Jogos de Torneio Início foram desconsiderados. Atualizado até 31 de dezembro de 2010.
Artilheiros
O maior artilheiro do Clássico dos Clássicos é Fernando Carvalheira, que fez vinte e seis gols pelo Náutico na década de 1930. Bita, também do Náutico, fez vinte e três gols durante osanos 1960. Do lado do Sport, Traçaia é o artilheiro do clássico, com treze gols.
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